Ultima carta.
Você me pediu pra ficar longe, me afastou, e como se eu não te amasse, sabendo que seria a ultima vez que te veria, eu te obedeci, demorei um ano e meio para poder te olhar nos olhos e dizer tudo o que sabíamos mas não admitíamos, eu te odiava e te amava, você sentia o mesmo, eu nunca me entenderia contigo, eu sabia disso, mas sempre nos dizem que nosso amor a gente não escolhe, naquele dia você me disse que fui uma mulher única na sua vida, apesar dos pesares, não precisei dizer o mesmo para você saber que era recíproco, eu e você nunca precisamos falar muito, nos conhecíamos o bastante e, apesar de todos os sentimentos, nunca estaremos juntos. Naquela tarde você beijou meus lábios e minutos depois beijou os de outra sem eu poder fazer absolutamente nada além de ser apresentada a sua namorada e ter de sorrir pra ela, na noite do dia seguinte você me visitou novamente, dizendo que a culpa era minha se sua vida afundasse e ficou bravo por que eu ri de você. “Você já afundou minha vida, tenho que devolver o favor” respondi em riso, e por incrível que parecesse você riu também, aquelas foram as palavras mais doces que trocamos na nossa vida inteira, e depois voltei a minha cidade de origem, sem adeus e sem despedidas, você me ligou quando avisei que estava emfim em minha cama, e apesar de todas as doçuras e discussões trocadas você me pediu para sumir da sua vida, por que você precisava ir em frente, eu segurei todas as minhas lágrimas de novo, como se nunca tivesse o feito e disse “se for isso mesmo o que você quer eu faço, mas eu vou sumir pra valer e nunca mais vai ouvir falar de mim” e você não respondeu, acabei levando isso como um sim e antes de desligar eu falei “nossa ultima conversa foi agradável, mas vou te pedir um favor, seja forte da forma como eu não mais poderei ser por você” e, após isso te ouvi chorar, você era um garoto bem frágil, e chorou para mim no telefone como muitas vezes antes, disse adeus e desligou, depois de desligar eu chorei, chorei muito, pra mim havia sido a ultima vez, e como prometido eu sumi, só que você é você, e você me encontrou, conversamos uma vez mais, já havia se passado um ano e nos entendiamos muito melhor, ainda nos conhecíamos melhor que qualquer pessoa, ainda eramos os mesmos tolos que se apaixonaram na adolescência. “Você tem alguém?” você me perguntou, e eu com um nó na garganta respondi “sim, tenho” você riu, e eu sabia que você ainda estava com aquela mesma namorada que você dizia amar, aquela que se parecia comigo, mas ao contrário de você, eu fiz questão de arranjar alguém totalmente diferente e que eu pudesse amar verdadeiramente, em nossa conversa como amigos nós sabíamos que ainda éramos os cúmplices desafortunados, mas eu nunca suportaria viver contigo, amor não bastava para nós, e eu nunca gostei de chamar a nossa relação de amor, amor era puro, alegre, e nós não tínhamos nenhum dos dois em nossa relação, eu nos chamava de queda. Voltamos a nos falar vez ou outra, eu estava na faculdade, ocupada, você trabalhava pra tentar manter uma vida, você cumpriu sua promessa e tentava ser forte, e eu sabia que quando ninguém te ouvia você chorava, eu conhecia seu melhor amigo, nunca foi a melhor pessoa do mundo, não gostava dele, mas ele sabia lidar contigo, hoje a noite você me ligou sofrendo, sua namorada parecia estar na sua casa, ela deve me odiar depois de hoje, e você chorou, dizendo que não conseguia, que precisava das palavras de alguém com quem você não precisasse falar, eu sabia que esse alguém era eu, da mesma forma que você era pra mim, mas eu te substitui, eu sempre fui mais forte que você e sabíamos disso, você apenas não quis por ninguém no meu lugar. Conversei com você até que você se acalmasse e quando estava calmo, perguntei se você podia dizer a sua namorada que amava ela de coração, você hesitou em mentir, mas admitiu que não, eu ri novamente “me desculpe, mas acho que a essa altura, eu me apaixonei de verdade pela pessoa que está comigo” “me superou então?” ficamos em silêncio, ambos sabíamos que eu faria isso “não, eu simplesmente passei a amar” e você chorou, eu não queria ter te feito chorar de novo, não na minha frente, mas você nunca escondeu isso de mim, foi apenas eu quem sempre me recusei a chorar na sua frente, “por favor, continue sendo forte, seja forte da forma como eu não posso mais ser por você” “por que não?” em sua voz continha rancor, admita, você me odeia muito “por que acabamos, faz tempo, nunca devíamos ter começado” e você manteve seu silêncio, suspirei um “tchau” e desliguei sem esperar resposta, o que você não sabe é que liguei pro seu melhor amigo, puta da vida, mandando-o cuidar de você direito, dizendo que eu não estava mais aí para os dois, que ele era forte e você não, que ele devia tentar ser o que eu era, não que ele fosse ser, você me odeia mas o ama, e ele disse que igual a mim para você provavelmente não existiria, eu mandei ele dar um jeito, mas que te ajudasse a não chorar. Eu sei tudo sobre você, eu sei o quão fraco e forte você precisa ser todos os dias, só que não posso mais me dar ao luxo de me render a essa história, não posso mais parar por você ou você por mim, não agora, não que tenha um motivo para nos separarmos para sempre, mas só o tempo cura a dor que eu fui pra ti e você pra mim, e eu preciso dessa cura e desse tempo tanto quanto você, então não se machuque e continue sendo forte por nós dois, pois eu não sou tão forte assim, e nem preciso ser, mas você precisa, apenas você vive a sua vida e eu, por mais que queira, não posso te ajudar. Viva okay? Eu sei que você não vai me esquecer, essa é mais uma ultima carta, e veremos se será realmente a ultima, então, uma vez mais, adeus.
(Source: dotinha)






